"o comboio vai a subir a serra, parece que vai mas não vai parar, sempre a assobiar vai de terra em terra, dê por onde der quero lá chegar!"
"o comboio vai a subir a serra, parece que vai mas não vai cair, sempre a assobiar vai de terra em terra, como a perguntar onde quero ir."
De facto, a Linha do Sabor possui a maior rampa ferroviária contínua em Portugal, sendo que nos 12 km que vão da estação do
Pocinho à de Torre de Moncorvo se vencem 280 metros de desnível, num traçado sinuoso, sendo que a meio deste percurso era mesmo necessária uma paragem técnica na denominada "estação da
Gricha", para que as locomotivas a vapor pudessem recuperar pressão e continuar a longa subida. De Moncorvo até
Felgar a rampa continuava, vencendo-se em 13 km 260 m de desnível, o que perfaz uma rampa contínua de 25 km, vencendo 540 m de desnível, para que os comboios subissem do Douro, contornassem a Serra do
Reboredo, e pudessem entrar no longo planalto mirandês.
» HISTÓRIA
A abertura da Linha do Sabor à exploração foi realizada da seguinte forma:
- Pocinho - Carviçais: 17/09/1911
- Carviçais - Lagoaça: 06/07/1927
- Lagoaça - Mogadouro: 01/06/1930
- Mogadouro - Duas Igrejas-Miranda: 22/05/1938
Moncorvo foi, de todas as quatro sedes dos concelhos que a linha atravessa, a única a ter estação no próprio povoado. Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e Miranda do Douro tinham as suas respectivas estações longe dos respectivos aglomerados
populacionais, o que em último caso condenou a longo prazo a Linha do Sabor ao
declíneo da sua procura. Acelerado pelo despovoamento que a emigração ditou na segunda metade do século XX, o desinvestimento nesta via-férrea começou. O material
traccionado a vapor durou até ao seu encerramento, tanto para os comboios de passageiros, como de mercadorias e mistos. Para os de passageiros surgiu ainda uma pequeníssima automotora, fruto de um projecto nacional, que tinha carroçaria de autocarro e era impulsionada por um motor a gasolina. Ainda existe um exemplar deste peculiar comboio, na Secção Museológica da estação do Arco de
Baúlhe, na Linha do Tâmega. Em suma, o material, anacrónico, começou a ser substituído gradualmente por circulações rodoviárias, deixando nos últimos anos de exploração ferroviária apenas uma circulação de comboios em cada sentido, que fizesse integralmente os 105km do
Pocinho a Duas Igrejas, e duas que cumprissem apenas o troço
Pocinho - Mogadouro. O principal suporte da manutenção da linha (os comboios mineiros da extracção de Ferro na Serra do
Reboredo) acabou com o
declíneo rápido da extracção do Ferro. A 1 de Agosto de 1988 estava tudo acabado na Linha do Sabor, aonde tinha chegado recentemente material a
diesel, as locomotivas 9020 da
Alstom, que prestaram serviço nas congéneres de Via Estreita do Douro.
Poucas semanas depois, o troço da Linha do Douro entre o
Pocinho e Barca d'Alva era também encerrado, deixando o
Pocinho como estação a partir da qual nenhum outro comboio prosseguia marcha. Actualmente, uma coligação de autarquias Durienses veio demonstrar a sua vontade em reatar as ligações ferroviárias
internacionais no vale do Douro, anulando um projecto incoerente de instalar uma ciclovia do
Pocinho a Barca d'Alva. Apesar de recentemente haver ciclovia entre Moncorvo e
Larinho, já foi aprovado o alargamento desta ciclovia em direcção a
Carviçais, e pretende-se fazer o mesmo entre Moncorvo e o
Pocinho, decalcando um modelo que na região não tem adesão suficiente para a sua implementação, nem garante o desenvolvimento que o caminho-de-ferro, aliado ao turismo, pode oferecer.