Cuidados Paliativos no Planalto Mirandês

A Unidade Domiciliária de Cuidados Paliativos Planalto Mirandês já está no terreno. No prazo de dois meses, a coordenadora do projecto espera resultados visíveis.

Vimioso, Miranda do Douro e Mogadouro vão ser os três concelhos abrangidos pelo projecto-piloto dos cuidados paliativos. Esta Unidade de Saúde tem a finalidade de prestar serviços de Cuidados Paliativos no domicílio a pessoas portadoras de doenças crónicas graves. Nos dias 12 e 13 de Fevereiro Miranda do Douro recebeu duas equipas de cuidados continuados. “Neste momento estamos a fazer uma acção de formação conjunta com a equipa que vai integrar a Unidade Domiciliária de Cuidados Paliativos que vai ser implementada no Planalto Mirandês e a equipa de Mértola que veio juntar-se a nós porque somos dois projectos-piloto”, explicou ao INORMATIVO Jacinta Fernandes, coordenadora do projecto.

Da equipa fazem parte médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e auxiliares. Neste momento praticamente todos os elementos que vão integrar a unidade têm formação básica na área e há já um número considerável de pessoas com pós-graduação, mas ainda não estão integrados todos os elementos da equipa.

Neste momento, a equipa já está no terreno. Em Miranda em Vimioso a equipa já começou a fazer o diagnóstico de situação. “Os presidentes da Junta colaboraram connosco e já nos entregaram a lista de pessoas que eles acham que possam precisar deste acompanhamento”, adianta a coordenadora. Jacinta Fernandes espera que a muito curto-prazo, dentro de dois meses, já haja algum trabalho visível nesta área.

Cuidados paliativos são muito necessários

Este tipo de assistência, ao contrário do que se possa pensar, não são cuidados menores. “Servem para aliviar o sofrimento quer do doente quer da família, porque a nossa unidade de observação não é a doença em sim, é o doente e a família”, esclarece a coordenadora do projecto. São por isso importantes não apenas os cuidados físicos, mas também os espirituais e sociais para, diz Jacinta Fernandes, “lhes poder dar uma qualidade de vida melhor e lhes podermos dar uma morte digna onde eles quiserem”.

E os cuidados paliativos não são apenas dirigidos ao cancro nem às pessoas idosas…são dirigidos à população em geral. “Não nos podemos esquecer que, em qualquer idade, nós temos doenças graves e é necessário dar-lhe continuidade de cuidados”, relembrou a responsável.

Apesar disso, os idosos são aqueles que mais precisam deste género de cuidados porque, além das doenças próprias da sua idade, Jacinta Fernandes explica que têm também outras patologias que aparecem muito mais precocemente mas que só naquela idade se tornam mais graves e com mais necessidade de cuidados.

E há mesmo muita gente a precisar deste tipo de assistência na região. Na unidade de cuidados continuados onde trabalha, Jacinta Fernandes tem, em média, quatro ou cinco doentes internados com acompanhamento e com cuidados paliativos.

Quando foi desafiada para este projecto, Jacinta Fernandes iria apenas trabalhar um concelho, mas rapidamente entendeu que as condições que lhe eram oferecidas permitiam actuar no planalto.

Para já, este projecto-piloto vai decorrer apenas nestes três concelhos, mas se houver alguns concelhos limítrofes que estejam empenhados e motivados em desenvolverem um projecto idêntico poderá também ser financiado. Contudo Jacinta Fernandes deixa o alerta: “é preciso gente com formação e neste momento ainda não há” De qualquer forma a médica não deixa de parte a hipótese de estender esta rede de cuidados ao resto do distrito. “O meu interesse é dar mais e melhores cuidados ao distrito e não apenas ao planalto”, concluiu a coordenadora.
por: Ana Margarida Pinto, in: O Informativo

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