Adopção de animais aquém das necessidades

Canil Intermunicipal da Terra Fria está a funcionar há cerca de dois meses e já tem lotação quase esgotada

O Canil/Gatil Intermunicipal da Terra Fria já conseguiu oferecer 10 cães para adopção, um número que ainda fica muito aquém da quantidade de animais que são largados pelos donos em qualquer lugar. “A adopção implica alguma responsabilidade, porque quem leva o animal tem de saber que este vai ter custos no futuro, bem como vai implicar tempo”, explicou Manuel Godinho, um dos três veterinários do Canil Intermunicipal, que serve os concelhos de Bragança, Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso.



O responsável lança um repto para que não se abandonem animais, uma prática cruel. “Hoje nestes quatro concelhos não há razão nenhuma para que se larguem os animais, basta que os tragam aqui ao canil. Nós depois de fazermos as observações, se não tiverem problemas de saúde, colocamos as fotografias no site para adopção”, referiu o veterinário.

Os funcionários do canil têm deparado com autênticos comportamentos selvagens, como encontrar cães presos ao portão, ou cachorros que são atirados por cima da vedação. “Este tipo de atitude é desnecessária, bastava virem cá entregá-los, não tem custos”, acrescentou. Quando os animais estão doentes são submetidos a eutanásia. “Sem qualquer tipo de sofrimento, nós depois procedemos à incineração do cadáver, sem custos para o proprietário”, acrescentou o responsável.

O Canil também realiza capturas, uma das tarefas que mais custos acarreta, porque envolve muitos meios humanos e materiais, bem como o uso de medicamentos tranquilizantes e tempo. “Uma prática que se mantém porque há muitos abandonos, mas que só tem sucesso com a colaboração dos munícipes se ajudarem a apanhar um animal que conheçam ”, frisou Manuel Gondinho.

O médico veterinário lamenta a necessidade de se proceder ao abate. “O que não é agradável para ninguém, só em último caso quando estão doentes e constituem um caso de saúde pública”, esclareceu.

Capturas envolvem muitos meios e custos

O excesso de lotação pode levar ao abate por falta de alternativas de alojamento. O Centro de Recolha Oficial dispõe apenas de 10 celas normais, com capacidade para vários cães, e três celas de quarentena, mais as 13 da parte do hotel para caninos. Um número que se pode vir a revelar inferior às necessidades. “Aqui vamos ter de fazer mais eutanásias do que pensávamos inicialmente, porque as adopções não se fazem todos os dias. Se houvesse mais gente a querer os animais era mais fácil”, sustentou Manuel Godinho. Até ao momento ainda não foi abatido nenhum animal por falta de espaço.

O equipamento custou cerca de 700 mil euros, repartidos pelos quatro municípios que serve. Ali funciona um centro de recolha oficial de animais de companhia e uma componente de hotel canino, que funcionará mediante o pagamento de uma taxa pela manutenção do animal. “Esse serviço ainda não abriu. Tudo depende do número de animais que viermos a recolher no canil”, justificou o veterinário. A prioridade vai para a recolha dos cães e gatos abandonados, por se tratar de um problema de saúde pública, e que se aparecerem em grande quantidade poderão ter ocupar as celas destinadas à parte do hotel.

A estrutura dispõe também de duas celas para animais de grande porte, como cavalos ou burros.

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